Economia

Juros altos, crédito caro: por que o brasileiro paga mais caro pelo dinheiro do que quase todo mundo

O Brasil tem o segundo maior spread bancário do mundo. Entenda as causas e o que está sendo feito — ou não — para mudar isso.
Por Marcos Tavares  ·  24 de junho de 2025  ·  Núcleo Diário

Se você já se perguntou por que o cartão de crédito cobra 400% ao ano de juros no Brasil enquanto nos Estados Unidos a taxa é de 20% e na Europa de 15%, a resposta envolve uma combinação de fatores que economistas debatem há décadas — sem chegar a um consenso sobre o que fazer.

O spread bancário brasileiro — a diferença entre o custo que os bancos pagam para captar dinheiro e o que cobram para emprestá-lo — é o segundo maior do mundo, atrás apenas de Madagascar. Em 2024, o spread médio nas operações de crédito livre chegou a 31,4 pontos percentuais, segundo dados do Banco Central. Para o crédito rotativo do cartão, o número é ainda mais absurdo: 418% ao ano.

Por que os juros são tão altos

Há várias explicações, e todas têm alguma validade. A inadimplência elevada é uma delas: o Brasil tem uma das maiores taxas de calote do mundo, o que faz os bancos cobrarem mais para compensar o risco. Mas a inadimplência não explica tudo — países com inadimplência similar têm spreads muito menores.

Outro fator é a concentração bancária. Cinco bancos controlam mais de 80% do mercado de crédito no Brasil. Essa concentração reduz a competição e permite que as instituições mantenham margens elevadas sem perder clientes para concorrentes.

"O brasileiro é refém de um sistema bancário que não tem incentivo para ser eficiente. Enquanto você pode cobrar 400% ao ano e ter lucro recorde, por que você vai se esforçar para reduzir custos?"

O que está mudando

O Banco Central tem tomado medidas para aumentar a competição no setor financeiro. O Pix, lançado em 2020, reduziu drasticamente as tarifas de transferência. O Open Finance, que permite ao consumidor compartilhar seus dados financeiros com diferentes instituições, está criando condições para que fintechs ofereçam crédito mais barato para bons pagadores.

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