Saúde

Vacinação em queda: o Brasil está perdendo a batalha contra doenças que já haviam sido controladas

Cobertura vacinal caiu abaixo de 70% em 12 dos 18 imunizantes do calendário básico. Especialistas alertam para risco de ressurgimento de doenças erradicadas.
Por Sofia Almeida  ·  21 de junho de 2025  ·  Núcleo Diário

O Brasil foi, por décadas, um exemplo mundial de vacinação em massa. O Programa Nacional de Imunizações (PNI), criado em 1973, erradicou a varíola, eliminou a poliomielite e controlou dezenas de outras doenças infecciosas que matavam milhares de crianças por ano. Esse legado está sendo destruído silenciosamente.

Dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura vacinal no Brasil caiu abaixo de 70% em 12 dos 18 imunizantes do calendário básico de vacinação infantil. Para a maioria das vacinas, a meta mínima estabelecida pela OMS é de 95%. Estamos muito abaixo disso — e a distância está aumentando.

O que está causando a queda

A hesitação vacinal — a recusa ou o adiamento da vacinação por desconfiança ou desinformação — é um fator importante, mas não é o único. A pesquisadora Cláudia Viana, da Fiocruz, identifica pelo menos três causas distintas que precisam de respostas diferentes.

A primeira é a desinformação, amplificada pelas redes sociais, que associa vacinas a efeitos colaterais exagerados ou a teorias conspiratórias. A segunda é a dificuldade de acesso: postos de saúde com horários limitados, filas longas e falta de vacinas em estoque afastam pais que querem vacinar seus filhos mas encontram obstáculos práticos.

"A varíola foi erradicada. A polio foi eliminada. As pessoas esqueceram o que essas doenças faziam com as crianças. E quando você esquece o problema, você para de se proteger contra ele. Aí o problema volta."
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